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Em revisão médica. Este texto aparece só no preview e não vai para o site público até a aprovação da Dra. Thaís. Versão atual do texto: 959f293d536a

Acupuntura e enxaqueca: o que a pesquisa permite dizer

Em resumo

Em adultos com enxaqueca episódica, a acupuntura usada como prevenção diminui a frequência das crises. A diferença é clara em relação a não fazer acupuntura, pequena em relação à acupuntura simulada e parecida com a dos remédios preventivos, com menos efeitos adversos. Faltam estudos que acompanhem as pessoas por mais de um ano.

Por Dra. Thaís Santos, médica (CRM-MG 80240, RQE 60876). Texto em revisão médica.

Dra. Thaís lendo um livro, apoiada na maca do consultório.

Prevenir e tratar a crise são perguntas diferentes

O remédio que a pessoa toma quando a dor começa serve para encurtar ou aliviar aquela crise. A prevenção tem outro objetivo: fazer com que as crises aconteçam menos vezes ao longo do mês.

Os estudos sobre acupuntura em enxaqueca olharam para a segunda pergunta. Eles acompanharam quantos dias com dor as pessoas tinham antes e depois de alguns meses de tratamento. Por isso, faz sentido ler os resultados pensando em prevenção, e não no alívio de uma crise que já começou.

O que a revisão Cochrane reuniu

A revisão mais completa sobre o tema juntou 22 estudos com 4.985 adultos com enxaqueca episódica Acupuncture for the prevention of episodic migraineLinde K e colaboradores. Cochrane Database of Systematic Reviews, CD001218, 2016.Revisão sistemática com metanálise (22 estudos, 4.985 participantes)Abrir o estudoVer todas as fontes. Os pesquisadores compararam a acupuntura com três situações diferentes, e cada comparação responde a uma pergunta própria.

O resultado mais usado nos estudos foi a proporção de pessoas que conseguiram reduzir pela metade, ou mais, a frequência das crises. É uma medida de grupo: mostra quantas pessoas melhoraram nesse nível, e não quanto cada pessoa vai melhorar.

Acupuntura comparada a não fazer acupuntura

O que foi estudado
Acupuntura somada ao tratamento habitual das crises, avaliada após cerca de três meses.
Em quem e com qual comparação
4 estudos com cerca de 2.500 adultos. O outro grupo manteve só o tratamento habitual.
O que se observou
41% das pessoas que fizeram acupuntura reduziram as crises pela metade ou mais, contra 17% de quem não fez.
O limite que muda a leitura
Nessa comparação, cada participante sabe se recebeu acupuntura. Parte da diferença pode vir da expectativa e da atenção recebida, e não só das agulhas. Os autores classificaram a certeza dessa evidência como moderada.

Acupuntura comparada a acupuntura simulada

O que foi estudado
Acupuntura verdadeira contra uma versão simulada, com agulhas em pontos não indicados ou que não atravessam a pele.
Em quem e com qual comparação
12 estudos com cerca de 1.650 adultos.
O que se observou
Ao fim do tratamento, 50% das pessoas com acupuntura verdadeira reduziram as crises pela metade ou mais, contra 41% com a simulada. Cerca de seis meses depois, eram 53% contra 42%.
O limite que muda a leitura
A diferença entre as duas é pequena. A versão simulada também produziu melhora, o que mostra quanto a expectativa e o cuidado pesam no resultado de quem trata dor. Certeza classificada como moderada.

Acupuntura comparada a remédios preventivos

O que foi estudado
Acupuntura contra medicamentos usados na prevenção da enxaqueca.
Em quem e com qual comparação
Poucos estudos, com cerca de 740 adultos.
O que se observou
Em três meses, 57% das pessoas com acupuntura reduziram as crises pela metade ou mais, contra 46% com remédio. Menos pessoas interromperam o tratamento por efeitos adversos no grupo da acupuntura.
O limite que muda a leitura
Em seis meses, a diferença entre os grupos (59% contra 54%) pode ter sido acaso. O conjunto sustenta que a acupuntura tem resultado ao menos parecido com o dos remédios preventivos, e não que seja superior.

O que esses números não dizem

Os estudos falam de grupos de pessoas acompanhadas por alguns meses. Eles não garantem o resultado de quem vai começar um tratamento, e quase não existem estudos com acompanhamento maior que um ano Acupuncture for the prevention of episodic migraineLinde K e colaboradores. Cochrane Database of Systematic Reviews, CD001218, 2016.Revisão sistemática com metanálise (22 estudos, 4.985 participantes)Abrir o estudoVer todas as fontes.

A revisão também não compara a acupuntura com todas as opções de prevenção disponíveis hoje. Ela responde a perguntas específicas, e é dentro desses limites que a conclusão dos autores faz sentido: a acupuntura pode ser considerada como opção de prevenção para quem tem enxaqueca episódica e aceita o tratamento.

Como isso entra em uma avaliação

Na consulta, a frequência das crises, o uso de remédios para a dor e o impacto na rotina ajudam a decidir se faz sentido pensar em prevenção, e se a acupuntura entra junto com o tratamento que a pessoa já faz. [pendente: confirmar com a Dra. Thaís como ela conduz essa avaliação]

Anotar os dias com dor ao longo de um mês costuma ajudar nessa conversa, porque a lembrança tende a guardar só as crises mais fortes.

Fontes

  1. Acupuncture for the prevention of episodic migraineLinde K, Allais G, Brinkhaus B, Fei Y, Mehring M, Vertosick EA, Vickers A, White AR. Cochrane Database of Systematic Reviews, CD001218, 2016. Revisão sistemática com metanálise (22 estudos, 4.985 participantes).doi.org/10.1002/14651858.CD001218.pub3

Revisão médica

Este texto ainda não foi aprovado pela Dra. Thaís Santos.

O conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual.

Endereço deste artigo: https://drathaissantos.com.br/artigos/acupuntura-e-enxaqueca